Calor Extremo: Proteja seu coração do risco de infarto e AVC

G1

Este artigo aborda calor extremo: proteja seu coração do risco de infarto e avc de forma detalhada e completa, explorando os principais aspectos relacionados ao tema.

Como o Calor Extremo Afeta o Sistema Cardiovascular

O calor extremo impõe um desafio significativo ao corpo humano, forçando o sistema cardiovascular a operar em sobrecarga para manter a temperatura interna estável. Em dias de temperaturas elevadas, o organismo aciona uma série de mecanismos automáticos de adaptação que, embora essenciais para a termorregulação, podem ser perigosos para indivíduos sensíveis. Esse esforço cardiovascular eleva o risco de mal-estar, arritmias e eventos graves como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O coração, nesse cenário, é o principal motor dessa resposta complexa, trabalhando intensamente para dissipar o excesso de calor.

O estresse térmico, especialmente durante ondas de calor prolongadas e cada vez mais frequentes, amplifica esses perigos. Pessoas idosas e aquelas com histórico de doenças cardiovasculares são particularmente vulneráveis, pois seus sistemas podem ter menor capacidade de adaptação ou já estar comprometidos. A falha na engrenagem desses ajustes fisiológicos é o que transforma o calor de um incômodo em uma ameaça real à saúde cardíaca, exigindo atenção redobrada e medidas preventivas.

Dilatação dos Vasos Sanguíneos e Esforço Cardíaco

Quando o corpo é exposto a altas temperaturas, ocorre uma dilatação dos vasos sanguíneos, principalmente na pele, um processo crucial para a dissipação do calor. Essa vasodilatação resulta em uma diminuição da resistência vascular e, consequentemente, uma queda da pressão arterial. Para compensar essa baixa e assegurar um fluxo sanguíneo adequado para todos os órgãos, o coração intensifica seus batimentos, aumentando a frequência cardíaca. Em indivíduos saudáveis, esse ajuste geralmente é eficaz, permitindo a manutenção do equilíbrio. No entanto, em outras pessoas, especialmente aquelas com condições preexistentes, essa compensação pode ser insuficiente, exaustiva ou até perigosa, sobrecarregando o músculo cardíaco.

Desidratação e o Risco de Arritmias

A perda de líquidos e eletrólitos é um dos maiores perigos do calor extremo. A transpiração, embora fundamental para resfriar o corpo, elimina não apenas água, mas também minerais vitais como sódio e potássio, essenciais para o funcionamento celular. A desidratação resultante diminui o volume sanguíneo circulante, forçando o coração a acelerar ainda mais para compensar essa redução e manter a perfusão dos órgãos. A perda de eletrólitos interfere diretamente no sistema elétrico do coração, aumentando consideravelmente o risco de arritmias, que podem variar de palpitações inofensivas a condições graves. Este desequilíbrio é especialmente crítico para pessoas com doenças cardiovasculares prévias, que já possuem um sistema elétrico cardíaco mais suscetível a disfunções, podendo precipitar eventos cardíacos adversos.

Desidratação e Perda de Eletrólitos: Um Perigo Silencioso

Em meio a ondas de calor intenso, um perigo silencioso ameaça a saúde cardiovascular: a desidratação e a consequente perda de eletrólitos. O suor, mecanismo vital do corpo para regular a temperatura interna, paradoxalmente, torna-se um agente de risco. Ao evaporar da pele, ele não remove apenas calor, mas também uma quantidade significativa de água e sais minerais essenciais, como sódio e potássio. Essa perda de líquidos reduz o volume total de sangue circulante, um fator crítico que desencadeia uma série de respostas fisiológicas compensatórias por parte do organismo.

Quando o volume sanguíneo diminui devido à desidratação, o coração é forçado a trabalhar com mais intensidade e rapidez para garantir que todos os órgãos recebam o suprimento adequado de oxigênio e nutrientes. Essa sobrecarga cardíaca se manifesta através de batimentos acelerados, uma tentativa desesperada de compensar a queda da pressão arterial. Os efeitos imediatos e perceptíveis dessa condição incluem tontura, fraqueza generalizada, escurecimento da visão e até sensações de desmaio, sinais claros de que o sistema cardiovascular está sob estresse e lutando para manter o equilíbrio.

Mais do que a simples perda de água, a depleção de eletrólitos — como sódio e potássio — representa uma ameaça direta ao funcionamento cardíaco. Esses minerais são cruciais para a estabilidade elétrica do coração, participando da transmissão de impulsos nervosos que coordenam cada batimento. A sua ausência ou desequilíbrio pode desestabilizar o ritmo cardíaco, elevando significativamente o risco de arritmias, especialmente em indivíduos que já possuem condições cardiovasculares prévias. Essa combinação de desidratação e desequilíbrio eletrolítico impõe um estresse adicional que, em casos extremos, pode precipitar eventos graves como infartos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC).

Grupos de Risco Elevado: Quem Precisa de Atenção Extra

O calor extremo não afeta a todos de maneira igual. Enquanto o organismo de indivíduos saudáveis consegue se ajustar aos mecanismos termorregulatórios, certos grupos populacionais enfrentam um risco significativamente maior de complicações cardiovasculares graves, como infarto e AVC. Identificar e monitorar essas pessoas é crucial para prevenir desfechos trágicos durante ondas de calor prolongadas. A atenção redobrada e a adoção de medidas preventivas específicas tornam-se indispensáveis para minimizar os impactos do estresse térmico no sistema cardiovascular desses grupos mais vulneráveis.

Os idosos representam uma das categorias mais suscetíveis aos efeitos do calor intenso. Com o envelhecimento, o corpo perde parte de sua capacidade de regular a temperatura de forma eficiente. A diminuição da percepção da sede, a menor produção de suor e a redução da capacidade de vasodilatação da pele dificultam a dissipação do calor. Além disso, muitos idosos fazem uso de medicamentos para condições crônicas que podem interferir na regulação da pressão arterial e no balanço de fluidos, como diuréticos e betabloqueadores, aumentando a predisposição à desidratação e à sobrecarga cardíaca, que podem precipitar eventos graves.

Indivíduos que já possuem doenças cardiovasculares pré-existentes são, sem dúvida, o grupo de maior risco. Pacientes com hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, doença coronariana, histórico de infarto ou AVC, e aqueles com arritmias prévias, têm seu sistema cardiovascular já comprometido. O aumento da frequência cardíaca e a vasodilatação necessárias para dissipar o calor impõem um estresse adicional a um coração já fragilizado. A desidratação, comum em altas temperaturas, pode levar à hemoconcentração, aumentando a viscosidade do sangue e o risco de formação de coágulos, precipitando infartos e AVCs. A perda de eletrólitos essenciais, como sódio e potássio, pelo suor também pode desestabilizar o ritmo cardíaco, potencializando arritmias.

Outras condições médicas também elevam consideravelmente o risco durante ondas de calor. Diabéticos, por exemplo, podem ter a função renal comprometida e uma menor percepção de mudanças corporais, além de serem mais propensos a desidratação e desequilíbrios eletrolíticos. Pacientes com doença renal crônica e obesidade também são grupos de atenção especial devido à maior dificuldade de termorregulação e ao aumento da demanda metabólica. Indivíduos em uso de determinados medicamentos, como antidepressivos, antipsicóticos, alguns anti-histamínicos e laxativos, podem ter a capacidade de suar reduzida ou apresentar alterações no balanço de fluidos, dificultando a adaptação do corpo ao calor. Pessoas com hipotensão postural ou síncope vasovagal tendem a sentir os efeitos da vasodilatação e queda da pressão arterial com mais intensidade, aumentando o risco de tonturas, desmaios e quedas.

Sinais de Alerta e Quando Buscar Ajuda Médica Urgente

A atenção aos sinais do corpo é crucial durante períodos de calor extremo, especialmente para identificar rapidamente o esgotamento por calor e situações de emergência cardiovascular. Sintomas como tontura, fraqueza, náuseas, suor excessivo, dor de cabeça persistente e cãibras musculares podem indicar esgotamento pelo calor, uma condição que, se não tratada, pode evoluir para um quadro mais grave. Escurecimento da visão, sensação de desmaio iminente e uma frequência cardíaca acelerada (taquicardia) também são alertas importantes de que o sistema cardiovascular está sob estresse e precisa de alívio imediato. Idosos, crianças e pessoas com doenças cardiovasculares pré-existentes devem redobrar a vigilância para esses indicadores, pois são os mais vulneráveis.

Contudo, certos sintomas exigem atenção médica imediata, pois podem sinalizar eventos cardiovasculares graves, como infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC). Sinais de infarto incluem dor ou desconforto intenso no peito que pode se irradiar para o braço esquerdo, costas, pescoço, mandíbula ou estômago, frequentemente acompanhada de falta de ar, suores frios, palidez e náuseas. Para o AVC, os sinais podem surgir repentinamente e incluem fraqueza ou dormência súbita na face, braço ou perna (geralmente em um lado do corpo), dificuldade para falar ou compreender a fala, confusão mental, problemas de visão em um ou ambos os olhos, e uma dor de cabeça intensa e repentina sem causa aparente.

Diante de qualquer um desses sintomas de alerta para infarto ou AVC, a ação deve ser imediata e sem hesitação. Não espere os sintomas melhorarem. Ligue imediatamente para o serviço de emergência (SAMU 192 ou Bombeiros 193) ou procure o pronto-socorro mais próximo com a maior urgência possível. A rapidez no atendimento é fundamental para minimizar danos ao coração ou ao cérebro e melhorar significativamente o prognóstico. Enquanto aguarda ajuda, a pessoa deve ser mantida em um local fresco e arejado, com roupas leves, e, se consciente, pode-se oferecer pequenos goles de água fresca. O reconhecimento precoce dos sinais e a busca por assistência médica qualificada podem salvar vidas e prevenir sequelas graves.

Estratégias Práticas para se Proteger do Calor Intenso

As ondas de calor extremo se tornam uma realidade cada vez mais frequente, e adotar estratégias preventivas é crucial para proteger a saúde cardiovascular e geral. A exposição prolongada a altas temperaturas pode sobrecarregar o organismo, desencadeando mecanismos de adaptação que, em certas condições, elevam o risco de eventos graves como infarto e AVC. Portanto, a proatividade na aplicação de medidas simples, mas eficazes, é a chave para minimizar esses perigos.

Manter o corpo em equilíbrio térmico exige uma série de cuidados diários, especialmente para idosos, crianças, e pessoas com doenças crônicas ou cardiovasculares preexistentes. A conscientização sobre os riscos e a implementação rigorosa de práticas de autoproteção são fundamentais para navegar com segurança por períodos de calor intenso, evitando a desidratação e o estresse excessivo ao coração.

Hidratação Constante e Adequada

A hidratação é a pedra angular da proteção contra o calor. Beba água regularmente, mesmo que não sinta sede, em intervalos curtos ao longo do dia. A recomendação geral é ingerir pelo menos 2 a 3 litros, mas essa quantidade pode aumentar significativamente em dias quentes ou durante atividades físicas. Evite bebidas açucaradas, alcoólicas ou com cafeína, pois podem contribuir para a desidratação. Consumir sucos naturais de frutas, água de coco e isotônicos (sob orientação, especialmente se houver restrições de saúde) também ajuda a repor eletrólitos importantes perdidos pelo suor.

Moderação e Proteção Solar

Priorize permanecer em ambientes frescos e à sombra, especialmente entre as 10h e 16h, os horários de maior incidência solar. Se precisar sair, use roupas leves, de cores claras e tecidos que permitam a transpiração. Chapéus de abas largas e óculos de sol são acessórios importantes para a proteção direta. Evite atividades físicas extenuantes ao ar livre durante o pico do calor; prefira o início da manhã ou o final da tarde, e sempre com hidratação adequada. Limitar a exposição ao sol direto é vital para evitar o superaquecimento.

Ambiente Fresco e Alimentação Leve

Crie um ambiente agradável em casa ou no trabalho. Utilize ventiladores ou ar-condicionado. Se não tiver acesso, tome duchas frias ou molhe pulsos e nuca frequentemente para ajudar a baixar a temperatura corporal. Consuma refeições leves e ricas em água, como frutas, verduras e legumes frescos. Evite pratos pesados e gordurosos, que demandam mais energia do corpo para a digestão, aumentando a sensação de calor e o trabalho cardiovascular.

Atenção aos Sinais e Grupos de Risco

Fique atento aos sinais de superaquecimento, como tontura, dor de cabeça, náuseas, fadiga excessiva, cãibras musculares ou escurecimento da visão. Idosos, crianças pequenas e portadores de doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão devem ter atenção redobrada e seguir as orientações médicas específicas para períodos de calor. Verifique regularmente o bem-estar de vizinhos e familiares mais vulneráveis. Em caso de sintomas graves ou persistentes, procure atendimento médico imediatamente. A prevenção e a resposta rápida são vitais para evitar complicações sérias, como arritmias e eventos cardiovasculares.

Fonte: https://g1.globo.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 × dois =

Leia mais

×