Este artigo aborda a história do feijão carioca: da mutação à mesa brasileira de forma detalhada e completa, explorando os principais aspectos relacionados ao tema.
O Feijão na História do Brasil: Um Alimento Milenar e Suas Variedades
O feijão, alimento milenar e pilar da culinária brasileira, antecede a própria formação do país. Sua presença remonta aos povos originários, que já o integravam à sua dieta muito antes da chegada dos colonizadores europeus. Para esses povos, o grão era frequentemente combinado com farinha de mandioca, formando a base de sua subsistência e cultura alimentar. Essa profunda raiz histórica sublinha a importância inquestionável do feijão no desenvolvimento dos hábitos alimentares nacionais e sua permanência como um elemento fundamental na mesa brasileira ao longo dos séculos.
Por séculos, uma rica diversidade de feijões coexistiu e prosperou nos campos brasileiros, atendendo a variadas preferências de produtores e consumidores. Até a década de 1960, o cenário era marcado pela multiplicidade de tipos, como o bico-de-ouro, rosinha, jalo, chumbinho, manteiga, mulatinho e roxinho, especialmente comuns em regiões como o Estado de São Paulo. Essa ampla variedade demonstrava a adaptabilidade do feijão a diferentes terroirs e culturas regionais, consolidando sua presença como fonte de proteína e nutrientes essenciais.
Contudo, a partir dos anos 1970, um tipo específico começou a ganhar destaque e se tornou o favorito absoluto nas mesas do país: o feijão-carioca, ou carioquinha. Este grão, de coloração marrom clara com rajados mais escuros, hoje domina o consumo nacional, sendo a escolha de aproximadamente 60% dos brasileiros, conforme dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A ascensão do feijão-carioca é um capítulo marcante na história alimentar do Brasil, refletindo não apenas uma mudança de paladar, mas também a influência da ciência no aperfeiçoamento agrícola e na padronização de preferências.
A Surpreendente Origem do Feijão Carioca: Uma Mutação Natural na Lavoura
O feijão Carioca, hoje um pilar inquestionável da dieta brasileira e consumido por cerca de 60% da população, tem uma história de origem surpreendentemente singela e profundamente conectada à natureza. Longe de ser o resultado de um projeto de laboratório meticulosamente planejado, sua existência começou com uma mutação genética espontânea, um fenômeno natural observado no interior do estado de São Paulo em meados do século XX. Esse evento fortuito, uma anomalia genética em uma lavoura comum, transformaria radicalmente a paisagem agrícola e culinária do país, consolidando um tipo de grão que antes não existia e que rapidamente conquistaria o paladar nacional pela sua qualidade, adaptabilidade e, futuramente, pela sua alta produtividade.
O marco dessa descoberta essencial para a agronomia brasileira remonta a 1963, no município paulista de Ibirarema. Foi na Fazenda Bom Retiro, de propriedade do engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, que a natureza fez sua parte. Antunes, que à época chefiava a Casa da Agricultura local, notou algo incomum e instigante em sua lavoura de feijão chumbinho – uma das muitas variedades de feijão que eram comuns no período e dividiam a preferência dos produtores. Entre os grãos marrom-escuros e uniformes do chumbinho, surgiam plantas cujas vagens continham sementes de uma coloração marrom-clara, distintamente rajadas com manchas mais escuras. Era o nascimento do que viria a ser o icônico feijão Carioca, um achado que inicialmente parecia uma simples curiosidade agrícola.
Essa mutação natural, observada por um agrônomo atento, representou o ponto de partida para a ascensão meteórica do feijão Carioca, que, tecnicamente, é classificado como uma "cultivar" e não uma "variedade". A distinção é crucial para entender a história: enquanto as variedades se desenvolvem naturalmente e de forma gradual dentro de uma espécie, uma cultivar é desenvolvida, ou selecionada e aprimorada, a partir de eventos genéticos específicos – como uma mutação espontânea – e posteriormente trabalhada por melhoramento genético. A capacidade de identificar, isolar e desenvolver essa mutação inicial transformou um achado acidental na mais bem-sucedida cultivar na história brasileira do feijão, demonstrando como a observação atenta e a intervenção científica podem capitalizar eventos naturais para o benefício da sociedade e da segurança alimentar.
Da Seleção Massal à Ciência: O Papel do Instituto Agronômico e da Pesquisa
O sucesso estrondoso do feijão-carioca, que hoje domina a mesa de 60% dos brasileiros, é um testemunho direto da capacidade da ciência agrícola nacional. A jornada para a "invenção" desta cultivar icônica começou em 1963, no município paulista de Ibirarema, quando o agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa da Agricultura local, identificou uma mutação espontânea e promissora em sua lavoura de feijão 'chumbinho'. Essa observação inicial, aparentemente fortuita, marcou o ponto de partida para um trabalho de pesquisa sistemático que transformaria essa peculiaridade genética em um pilar da alimentação brasileira. O engenheiro agrônomo Luiz D'Artagnan de Almeida, reconhecido como o 'pai do carioquinha', foi um dos grandes protagonistas desse processo.
A partir da mutação notada por Antunes, iniciou-se um meticuloso trabalho de seleção e melhoramento genético, com o objetivo de fixar e aprimorar as características desejáveis do novo grão. É aqui que o Instituto Agronômico (IAC), em Campinas, desempenhou um papel crucial. Pesquisadores do calibre da engenheira agrônoma Elaine Bahia Wutke, em colaboração com Almeida, dedicaram-se a transformar essa 'variedade' natural em uma 'cultivar'. Este termo técnico define plantas desenvolvidas por melhoramento genético para alcançar atributos superiores, como maior produtividade por área cultivada, resistência a doenças e pragas, e melhor adaptabilidade a diferentes condições climáticas e de solo.
O foco da pesquisa do IAC e de seus agrônomos era, portanto, ir muito além da simples existência da mutação. Através de técnicas apuradas de seleção massal, cruzamentos controlados e avaliações rigorosas em campo, eles isolaram e estabilizaram as características genéticas do feijão-carioca — seu peculiar padrão rajado marrom-claro e escuro, além de qualidades agronômicas superiores que garantiam maior rentabilidade e segurança aos produtores. Este esforço científico não apenas consolidou o feijão-carioca como uma cultivar de alto desempenho, mas também revolucionou a cadeia produtiva do feijão no Brasil, assegurando a segurança alimentar e a preferência do consumidor por um grão nascido da observação e moldado pela ciência.
Feijão Carioca: A Cultivar Que Conquistou o Paladar de Milhões de Brasileiros
O feijão Carioca, também conhecido como carioquinha, emergiu como um pilar inquestionável na mesa brasileira, conquistando o paladar de milhões e solidificando sua posição como o tipo preferido no país. Antes mesmo da chegada dos colonizadores, o feijão já era um componente fundamental da dieta dos povos originários, consumido com farinha de mandioca. Até a década de 1960, a diversidade de variedades era notável, com tipos como bico-de-ouro, rosinha e mulatinho dividindo espaço nas lavouras e nas cozinhas do estado de São Paulo. Contudo, a partir dos anos 1970, um fenômeno transformou esse cenário: o advento e a ascensão meteórica do feijão Carioca.
Este grão distintivo, de tonalidade marrom-clara rajada com manchas mais escuras, não é apenas uma preferência culinária, mas um verdadeiro triunfo da ciência brasileira. Atualmente, o feijão Carioca domina o mercado, sendo consumido por impressionantes 60% dos brasileiros, conforme dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Seu sucesso estrondoso não foi acidental; é o resultado direto de um trabalho meticuloso de melhoramento genético, que se iniciou a partir de uma mutação espontânea e bem-vinda em uma plantação no interior de São Paulo. Esta origem singular marcou o começo de uma trajetória que redefiniria o consumo de feijão no Brasil.
O termo técnico 'cultivar' é crucial para entender a história do Carioca. Ao contrário de uma 'variedade' natural, que designa um grupo com diferenças que se desenvolveram naturalmente dentro de uma mesma espécie, uma cultivar como o feijão Carioca é desenvolvida por meio de técnicas de melhoramento genético. O objetivo é alcançar características agronômicas superiores, como maior produtividade e resistência a pragas. Engenheiros agrônomos, como Luiz D'Artagnan de Almeida, carinhosamente conhecido como o 'pai do carioquinha', foram figuras centrais nesse processo. Em um artigo de 2017, ele e Elaine Bahia Wutke o descreveram como 'a mais bem sucedida cultivar na história brasileira do feijão', destacando a inovação e a dedicação que transformaram uma simples mutação em um ícone da gastronomia nacional. A história do Carioca exemplifica como a pesquisa e a ciência podem impactar profundamente a cultura alimentar de uma nação, garantindo não só o sustento, mas também a preferência nacional.
O Legado do Feijão Carioca e a Importância do Melhoramento Genético
O feijão Carioca transcendeu seu status de alimento para se tornar um verdadeiro ícone da mesa brasileira, consolidando um legado que permeia 60% dos pratos nacionais. Sua história, que se inicia com uma mutação espontânea em uma lavoura paulista na década de 1960, não é apenas um feito agrário, mas um testemunho da capacidade de inovação e adaptação. Essa ocorrência natural em Ibirarema, São Paulo, deu origem a um grão com características únicas, que rapidamente capturou a atenção dos especialistas e, posteriormente, o paladar dos consumidores, redefinindo o panorama do consumo de feijão no país.
O sucesso estrondoso do Carioca é um exemplar eloquente da importância vital do melhoramento genético na agricultura moderna. A partir da mutação inicial, engenheiros agrônomos, notadamente Luiz D'Artagnan de Almeida – considerado o 'pai do carioquinha' –, empreenderam um trabalho científico meticuloso. Este processo transformou uma ocorrência natural em uma cultivar de alta performance, dotada de características agronômicas superiores, como maior produtividade, uniformidade de grãos, e resistência a doenças e pragas. A ciência, portanto, não apenas 'descobriu' o Carioca, mas o 'moldou' para atender às demandas de uma nação.
A distinção entre 'cultivar' – plantas desenvolvidas por melhoramento genético – e 'variedade' – que surge naturalmente – é crucial para entender o valor agregado pela pesquisa. O investimento contínuo em melhoramento genético, com instituições como a Embrapa à frente, assegura a sustentabilidade e a eficiência da produção alimentar, garantindo que culturas essenciais como o feijão Carioca possam alimentar milhões. Este legado não se resume apenas à preferência culinária, mas representa a segurança alimentar, a resiliência agrícola e a capacidade de transformar um fenômeno biológico em um pilar inabalável da dieta e da cultura brasileira.
Fonte: https://g1.globo.com